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Trump, tarifas e a farsa que fez os EUA perder 6 trilhões de dólares em poucos meses

De onde veio a ideia para Donald Trump usar trarifas?

De onde veio a ideia para Donald Trump usar tarifas? Você se lembra da primeira campanha presidencial de Donald Trump, em 2016? Um outsider político, sem experiência no governo e sem nenhum plano econômico estruturado — muito menos uma equipe sólida de economistas ao seu lado. Mas foi exatamente ali que nasceu uma das marcas mais controversas de sua política econômica: as tarifas de importação como ferramenta de guerra comercial, especialmente contra a China.

Ao contrário do que se esperaria de um presidente americano, Trump não começou sua cruzada tarifária a partir de debates acadêmicos, estudos do FMI ou recomendações de think tanks. A gênese dessa política tem um tom quase cômico — se não fosse trágico.

Sem consultores econômicos formais, Trump delegou a missão de encontrar um especialista a seu genro, Jared Kushner. Jared, um investidor imobiliário e marido de Ivanka Trump, jamais havia ocupado qualquer cargo público ou demonstrado interesse profundo em economia internacional. Ainda assim, tornou-se um dos conselheiros mais próximos de Trump durante o governo, com influência em temas que iam da política do Oriente Médio ao comércio global.

Segundo uma reportagem da Vanity Fair, Trump compartilhou com Jared um resumo de suas ideias — principalmente sua obsessão com o “déficit comercial com a China” — e pediu ao genro que fizesse uma pesquisa para encontrar alguém que endossasse sua visão.

O especialista por trás da loucura

Foi então que Kushner entrou na Amazon e, entre os milhões de títulos, foi atraído por um livro de nome alarmante: “Death by China” ("A Morte pela China"), escrito por Peter Navarro. O título prometia o que Trump mais queria ouvir: que a China estava destruindo os EUA economicamente — e que isso podia ser revertido.

Navarro era — e é — um acadêmico marginal na comunidade econômica. Embora tenha doutorado pela Universidade de Harvard, suas ideias sempre foram vistas como fora do mainstream. Mesmo assim, quando Jared ligou, Navarro aceitou imediatamente integrar a campanha, e mais tarde se tornaria o principal arquiteto da política comercial de Trump.

Mas de onde Peter Navarro tirou sua convicção de que tarifas eram a chave para "salvar a América"?

A resposta é mais surreal do que parece. Em seus livros, Navarro frequentemente citava um misterioso especialista chamado Ron Vara — apresentado como uma autoridade em comércio, um mentor intelectual que endossava sua visão sobre a ameaça chinesa. Mas havia um problema: Ron Vara não existe.

Sim, Navarro inventou seu próprio especialista. O nome Ron Vara nada mais é do que um anagrama de “Navarro”. Ele mesmo criou essa persona fictícia para dar respaldo intelectual às suas ideias. Um truque, talvez cômico em uma aula de redação criativa, mas absolutamente irresponsável quando se trata de orientar a política econômica da maior economia do planeta.

E foi essa farsa intelectual que serviu como base para o governo Trump adotar tarifas punitivas sobre centenas de bilhões de dólares em importações — principalmente da China. A ideia era que isso traria de volta empregos industriais, reduziria o déficit comercial e fortaleceria a economia americana.

O que aconteceu foi o oposto

As tarifas acabaram sendo impostas aos consumidores e empresas americanas, que pagaram mais por insumos, produtos e tecnologia. Os aliados comerciais dos EUA retaliaram, as cadeias de suprimento foram afetadas e os mercados reagiram com instabilidade.

Estudos independentes estimam que a guerra comercial de Trump custou à economia americana cerca de US$ 6 trilhões em valor de mercado perdido. Um artigo da Reuters (maio de 2025) descreve as consequências da contínua política tarifária de Trump. Segundo o texto: os mercados de ações dos EUA chegaram a perder cerca de US$ 6 trilhões devido ao impacto imediato da guerra comercial e tensões políticas resultantes das tarifas.

Se em 2008 a crise foi causada por bolhas financeiras e, em 2020, por um vírus, em 2025 muitos analistas já reconhecem que a origem do atual risco sistêmico global está em uma ideia equivocada, nascida de uma busca na Amazon e nutrida por um personagem fictício.

Não é um roteiro de sátira política. É história recente.

E talvez, a lição mais valiosa seja esta: quando os líderes desprezam o conhecimento técnico e baseiam decisões em delírios ideológicos, o custo não é apenas sobre a reputação — é social, econômico e humano.

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Redação MundoZ!
Author: Redação MundoZ!
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